PROLOGO
O Rei de Baixo da Terra
Um som semelhante a uma explosão — seco, profundo — vindo da direção do cemitério, área interditada há três meses.
Quando os primeiros curiosos se aproximaram, o solo já estava aberto.
Uma fenda atravessava o terreno de dentro para fora. A terra ao redor ainda deslizava lentamente para o interior do abismo recém-formado.
Foi então que o homem apareceu.
Ele emergiu com dificuldade, apoiando-se na borda da cratera. Suas roupas eram trapos de imundície. A pele marcada, os cabelos longos e embranquecidos. Sua respiração era lenta, mas firme.
Alguns deram um passo atrás. Outros permaneceram imóveis.
O homem observou o céu por alguns segundos. Depois falou. Disse ser o último rei de um reino desaparecido por mais de cem mil anos.
Segundo suas próprias palavras, seu reino já fora conhecido como a capital do mundo. Prosperidade, comércio, conhecimento — tudo convergia para aquelas terras. Porém, quando uma calamidade ameaçou destruir a era em que viviam, um mago decidiu selar o reino sob a terra.
O vento soprou com mais força naquele momento. A terra ao redor da cratera começou a ceder novamente.
Antes que seu corpo demonstrasse sinais de fraqueza, ele deixou uma única declaração:
— Àquele que derrotar o mago… concederei o meu reino.
Seu corpo simplesmente começou a se desfazer, como o solo seco exposto ao vento. Partículas de pó se dispersaram no ar da manhã até que nada restasse além do silêncio.
Desde então, o local foi considerado como fonte de renda, mas o risco de perder a própria vida é alto.
Aceita entrar no buraco!?
